• Apenas não entendo. Se tenho o príncipe nas mãos, porque insisto em querer o sapo de volta?

             Walleska Guimarães

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  •    Me peguei pensando esses dias porque nunca escrevi pra você. Nem sobre você. Nem pensando em você. Nenhuma crônica, nenhum texto, nenhum poema, nenhuma frase, nem uma linha sequer.
       Já falei sobre quem mentiu, quem enganou, quem segurou minha mão com intenção de soltar. E aquele que não vejo há tanto tempo? Já escrevi sobre a saudade. E o que pisou na bola na primeira semana? Escrevi sobre a traição. E aquele que não fez nenhuma diferença? Escrevi sobre o vazio, a irrelevancia. Mas porque minha inspiração é tão burra? Porque ela não se baseia em quem acalma o coração?
       Pobre de mim. Tão acostumada a redigir sobre sapos, acabei ficando sem palavras quando o tema era sobre um príncipe.

                    Walleska Guimarães


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  • Não sei aprofundar relações. Meus relacionamentos beiram o abismo da superficialidade. Um passo a frente e é fatal, se perdem em meio a falta de profundidade e ligação. Simplesmente caem e morrem, antes de se iniciarem. A culpa não foi sua. Nem minha.

          Walleska Guimarães

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  • E foi a sua foto que eu procurei naquele site de cobertura de festas idiotas, com fotos de gente mais idiota ainda. E era você com a sua blusa rosa choque que os meus olhos procuravam durante toda aquela festa idiota, em meio a todas aquelas pessoas igualmente idiotas. E foi em você que eu pensei, quando aquela banda de pagode idiota tocou aquela música idiotamente romântica. Foi a sua ligação que eu esperei, quando cheguei em casa cansada de mais um final de semana superficial e idiota, cercada de bêbados idiotas. E eu dou tanta importância, que chego a achar que a idiota sou eu.

            Walleska Guimarães

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  • É o fim, é o fim…

    Fim triste e desastroso. Assim como todos os fins, em todas as minhas tentativas frustradas de amar, quando perdida em meio as circunstâncias, esqueço que amor é utopia. Levantou e seguiu, sem ao menos acenar, me deixando pra trás.
    Mande um e-mail, uma carta, um telegrama, um sinal de fogo, dê notícias. Não se perca, não se esqueça que as pernas que seguiam as tuas podem não ter forças o suficiente pra suportarem a caminhada sozinhas. Mas é preciso continuar, e o cérebro tenta, sem sucesso, mandar essa informação para todas as células do meu corpo, que milimetricamente sentem falta do calor das suas. E ai o dia vai seguindo, e eu vou continuando a tentar não romper a linha tênue que liga o equilíbrio emocional ao corporal, já que fisicamente me falta uma parte, ainda que ninguém perceba.
    Tropeço na calçada, na escada, derrubo livros, copos, me esbarro em mesas, em móveis, e fico vista aos olhos de todos como tonta. Mal sabem que eu vou me segurando todos os dias, me apoiando em uma espécie de bengala imaginária, pra não cair e vomitar todo o restinho de vontade de continuar que ainda me restou. Como me manter em pé e equilibrada, se me falta a metade? Explica, por favor, explica pra essa gente tola que o fim foi triste, foi trágico, me desestruturou e me arrancou metade do corpo, fazendo com que eu ficasse assim, tão manca, tão tonta, tão desnorteada. As minhas pernas fraquejam, tropeçam, se esbarram em lugares improváveis em busca das tuas. Elas só querem continuar a me manter de pé, se eu tiver as tuas caminhando ao lado.
    Walleska Guimarães

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  • Matriomonial

    Eu, você, um altar, as madrinhas arrumadas, a marcha nupcial, aquela tia gorda e velha que não via a tempos se empaturrando de bem-casados, as crianças comendo os cup cakes, a capela decorada, o champanhe Dom Perignon, as amigas encalhadas à espera do buquê, convidados ansiosos pelas bebidas, meu ex na última fileira, nossos melhores amigos como padrinhos, o vestido branco, o véu, a grinalda, os sapatos carmen steffens apertados, as alianças Tiffany & Co, o sermão clichê do padre e… ACORDEI!
                                       Walleska Guimarães   

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  • Só pra fixar

    Porque tudo o que eu quero agora é recostar a minha cabeça no teu peito, e esquecer de todos os meu problemas pelo mundo à fora. E sentir de novo o seu beijo, que é quentinho como a comida da minha vó. Ok, a comida da minha vó não foi uma comparação muito romântica, mas foi a coisa mais gostosa e quentinha que eu consegui lembrar agora. E eu só me sinto confortável dentro do seu abraço, nesses braços que estão longe de chegar a 40, mas são os mais confortáveis do mundo.


                                            Walleska Guimarães   

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  • Do passado

    Passou. E a sensação de alívio é realmente gratificante. Foi devastador, devo confessar. Destruiu sonhos, certezas e convicções, fez esperanças desmoronarem, estilhaçou expectativas, fragmentou sentimentos, derrubou ilusões, alegrias desabaram-se, o coração foi partido, os dias foram desmotivantes, foi um terremoto de sensações ruins, do mais alto grau da escala Richard. Mas depois de todo terremoto, furacões e tempestades, aos poucos e com calma tudo é posto em seu devido lugar. Paciência, é preciso paciência.
        Arrumar a casa, o quarto, os móveis, reerguer paredes, reconstruir muros, organizar as gavetas, deixar tudo em ordem. Dá trabalho, mas depois de uma turbulência ter cessado, não há tarefa mais satisfatória. E não há melhor satisfação interior, nem nada mais prazeroso do que reaprender, aos poucos, a estar feliz por estar só. E só.
                                          Walleska Guimarães

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  • E eu continuo repetindo desenfreadamente em forma de mantra: “Volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta, volta” … Na esperança de que minhas palavras desesperadas se canalize em alguma espécie de energia positiva que me traga você, juntamente com todos os pedaços de mim que ainda estão contigo, mesmo que você não saiba.

                                    Walleska Guimarães

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  • A cama desarrumada, travesseiro no chão, guarda-roupa desorganizado com uma parte vazia, mais vazia que o meu peito. Um copo em cima da escrivania, cortinas balançando impulsionadas pelo vento frio que vem da janela, o que dava a cena um ar de algum romance do Stephen King.
        Entrei no quarto, e constatei o óbvio. Não há mais nada aqui, além da presença viva de alguém que já foi embora. Porque os momentos morrem, mas as lembranças continuam vivas e acesas, como a lareira da salar de estar, que com todo o seu esforço tenta aquecer a casa, mas não consegue esquentar o mais importante: o espaço vazio ao lado da cama.
                                               Walleska Guimarães   

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  • Ele não bebe até cair que nem você, e isso é uma qualidade. Mas só em não ser você acaba se tornando um defeito. Ele me dá carinho, atenção e mimos, e isso é uma qualidade, mas só em não ter esse seu jeitinho meio esnobe e não fazer aquele seu biquinho prepotente de “tô-nem-aí”, acaba se tornando um defeito também. E essa incansável busca de você em todas as pessoas, me fodeu, me fode e me foderá. Porque eu faço questão até do seu “foda-se” arrogante, e de sua lista interminável de palavrões abomináveis e doces. Porque o fato dele ser doce-doce-extremamente-doce é até uma qualidade, mas se torna um defeito quando o que eu realmente quero é o seu doce-azedo-meio-amargo.

                                        Walleska Guimarães   

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  •    Existe o cansaço pela busca infindável de alguma alma compatível. Existe falta de opção. Existe interesse, dinheiro, status, fama. Existe excesso de carência e comodidade com o fato de ter encontrado alguém que tente supri-la de alguma maneira. Existem casais alicerçados ao comodismo de estarem juntos por muito tempo. Existe sentimentos unilaterais. Mas o amor mútuo, não. Amor não existe.
       O jeito é nos contentar com os amigos, com a vodka, as paixões de mentirinha que mantemos para levar a vida de uma maneira mais leve, com os filmes americanos de finais felizes em que a atriz principal se casa com o-amor-da-vida-dela, aquele mesmo que deixei de acreditar desde o ginásio. Porque amar agora, como sempre sozinha, seria levar a óbito todo o meu senso de liberdade e auto-suficiência. Não preciso de ninguém.

                                Walleska Guimarães

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  • Palavras póstumas.

       Não sei se estou à caminho do céu ou do inferno, não sei se existe um meio termo entre eles, mas para onde quer que eu vá, com certeza estarei em busca das respostas que explique toda essa vida sem sentido, ou porque procurei sempre dar sentido a minha vida tentando completa-la com algo ou alguém que não me pertence, e está tão perdido quanto eu. Ou porque sempre tentamos nos encontrar nos perdendo na vida de alguém.
       E então chegou a hora de partir, deixar pra trás as contas pra pagar, a luz acesa da varanda que esqueci de apagar antes de sair de casa, milhões de coisas a se fazer, milhões de coisas que deixaram de ser feitas. E aquela mesinha quebrada? Espero que se lembrem de concerta-la por mim. Sai de casa carregando a insegurança no pensamento de que talvez não conseguisse retornar a ela. Não retornarei.
       Não quero biografias, grandes obras literárias, estátuas, monumentos ou grandes dedicatórias, espero apenas que se lembrem de mim. Por quanto tempo lembrarão? Até quando permanecerei intacto no filtro de suas memórias?
       Três disparos, um certeiro. Joga-se água para limpar e retirar o sangue do asfalto. O sol quente o seca. Os carros passam. A vida continua.

                            Walleska Guimarães

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  • Mais uma de desamor.

       Não me olhe assim distante, como quem olha pro horizonte procurando um novo par. O seu par sou eu! Meio incompleta, descontente pela espera, mau-humorada, mas aceitando todas as suas imperfeições.
       Não converse assim tão vagamente, olhando pra baixo, pro lado, pra todas as direções, menos pros meus olhos. Logo eles, que tanto choraram pra ter a atenção dos teus, não merecem tamanho descaso.
       Não, por favor, não sorria assim também! Porque essa é a parte que você consegue levar tudo de mim, inclusive os meus anseios. E pior, leva até o que eu não quero deixar ir. Leva até o que eu não quero te dar. Leva o que eu, por condições fisicamente humanas, não tenho como lhe dar. Leva o que eu, por questões racionais, não deveria sequer lhe mostrar: Meu coração. Mas não tem jeito, ele bombeia sangue pra mim, mas bate por você.

                                           Walleska Guimarães

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  • Semea-dor

    Porque as suas palavras contradizem
    O que seus olhos queriam falar
    Que apesar de todas as lágrimas
    Eles ainda queriam ficar.
    Da meia volta do portão
    E volta pro coração
    De quem por pura opção, escolheu te amar.

    Carrega tuas malas pra dentro
    E não parte assim, assim sem mim.
    Eu preciso de você aqui
    Pra seguir caetaneando o dia
    Ouvir blues, the beatles
    E combater a monotonía
    Que é estar só.

    Te quero comigo enquanto durar uma vida
    Ou duas vidas em uma
    Já que as nossas andaram sempre interligadas,
    Quero poder continuar te olhando dormindo,
    Como quem sonha acordada.
    Quero que nossas pernas
    Continuem entrelaçadas
    Formando um nó de nós dois.

    Porque é somente ao seu lado que consigo
    Morrer de rir, pra não morrer de tédio
    Dispensar comida, trabalho e remédio
    Pra viver só de amor
    Porque sem você aqui, semeador.
    Semear a dor eu vou.

                                Walleska Guimarães

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    "Sempre fui muito aberto, mas não estou nem aí, não devo nada a ninguém: como o que quero, e amo como quero. Em relação a minha vida, o que fica é uma busca muito grande da felicidade. " - Cazuza. | me amando agora / me abandonaram


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